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Papelaria leva Piscina de Bolinhas de Papel ao Instituto Tomie Ohtake
Uma piscina é, antes de tudo, uma delimitação: desenha-se um perímetro para conter alguma coisa, água, habitualmente. Na Piscina da Papelaria, vinte e cinco mil bolinhas de papel branco feitas em 4 folhas cada, esse princípio elementar da arquitetura encontra um material que responde ao espaço de outra maneira. Centenas de esferas de papel ocupam a estrutura, acumulam-se, deslocam-se e alteram continuamente sua superfície à medida que corpos atravessam o trabalho.
Apresentada inicialmente durante a SP-Arte 2026, a instalação chega ao Instituto Tomie Ohtake em 28 de agosto, onde assume nova escala e uma relação distinta como espaço. Criada pela Papelaria, estúdio de criação que trabalha entre objetos, instalações e projetos espaciais, a obra parte de uma imagem imediatamente reconhecível para submetê-la a uma operação material: aquilo que associamos ao plástico industrial, à cor e aos espaços recreativos aparece reconstruído em papel. A escolha acompanha uma investigação que atravessa a produção do estúdio. Dobrado, cortado, tensionado, sobreposto ou convertido em volume, o papel deixa a condição de suporte para adquirir estrutura; sua aparente fragilidade torna-se parte do problema construtivo. Na Piscina de Bolinhas, essa pesquisa alcança também a escala do corpo: cada esfera depende de uma geometria precisa para existir, enquanto sua multiplicação produz uma paisagem instável, modificada pelo uso.
A passagem da SP-Arte para o Instituto Tomie Ohtake acrescenta outra camada ao trabalho. Concebida em contato com o circuito da arte, a instalação passa a ocupar uma instituição dedicada a interseções entre artes visuais, arquitetura e design, campos que a própria prática da Papelaria atravessa. A mudança permite observar como uma mesma estrutura se reorganiza diante de outra arquitetura, outro fluxo de pessoas e outro tempo de permanência. Há algo deliberadamente simples na imagem escolhida pela Papelaria. A piscina de bolinhas pertence ao repertório coletivo da infância e dispensa explicações para ser reconhecida. Reconstruí-la em papel altera as regras dessa familiaridade: peso, resistência, repetição e escala passam para o primeiro plano, e brincar torna-se também uma maneira de se perceber no mundo.

