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SUMMARY:Peça documental parte de caso real de violência policial para revisitar memórias de família periférica
DESCRIPTION:Escrito e dirigido por Gabriel Viriatto, “Atravessados 1990” parte de vivências autobiográficas para investigar as marcas deixadas por uma família, uma cidade e uma década no corpo de quem sobrevive\nEspetáculo autobiográfico, documental e multilinguagem escrito e dirigido por Gabriel Viriatto, “Atravessados 1990” estreia nos dias 1º, 8 e 15 de agosto, com sessões às 18h e 20h, no Teatro Hórus, em São Paulo. Criada pelo Vértice — núcleo de criação cênica contemporânea da Tukumã Instituto de Artes, a montagem revisita memórias de uma família periférica paulistana durante a década de 1990 para investigar como violências, afetos, silêncios, desigualdades e formas de resistência permanecem inscritos no corpo e na construção da identidade.\nNem toda memória volta como lembrança organizada. Algumas retornam como imagem, ruído, gesto, ausência. Outras aparecem no corpo antes mesmo de virarem palavra. É nesse território instável, entre aquilo que se recorda e aquilo que ainda dói, que o espetáculo encontra sua força: olhar para o que uma família guarda, cala, repete e transforma para continuar existindo.\nA dramaturgia nasce das memórias de Gabriel, que revisita experiências vividas, ouvidas e percebidas ao longo da própria formação. Em vez de seguir uma linha cronológica, a obra avança como fluxo de lembranças, reunindo fragmentos de uma família atravessada por tensões, conflitos, afetos, violências, contradições e sonhos.\nNesse percurso, aparecem violência estrutural, abuso, violência policial, machismo, luto e desigualdades sociais. Nada surge como tema isolado ou tese fechada. A montagem parte da percepção de que a vida não separa os acontecimentos em gavetas: enquanto uma pessoa atravessa uma violência, também ama; enquanto vive o luto, continua trabalhando; enquanto sente medo, ainda encontra motivos para rir. Tudo se mistura à vida doméstica — ao quintal, à mesa, às conversas, às celebrações, aos silêncios e aos gestos de cuidado.\nEm meio às dores e aos traumas, a obra evidencia o protagonismo feminino dentro da família. São as mulheres que sustentam grande parte da estrutura afetiva da narrativa: cuidam, acolhem, decidem, protegem e permanecem. A violência atravessa gerações, mas o espetáculo também afirma o afeto como herança possível — aquilo que resiste mesmo quando nem tudo encontra cura.\n“Atravessados 1990 nasce de memórias que me formaram e que continuam voltando ao corpo. Durante a criação, percebi que a vida não acontece separada por temas. Enquanto uma pessoa sofre uma violência, ela também ama. Enquanto vive um luto, continua trabalhando. Enquanto sente medo, ainda encontra motivos para rir. A peça fala das violências que atravessam muitas famílias brasileiras, mas também do afeto que permanece. Quando me pergunto o que foi herdado entre gerações, minha resposta não é a violência. É o afeto”, afirma Gabriel Viriatto.\nA pergunta que orienta a criação é simples e incômoda: “como somos atravessados pela vida?”. A partir dela, o espetáculo observa como experiências sociais, familiares e afetivas moldam identidades, relações e modos de existir. O cotidiano aparece como acúmulo: lembrança, vínculo, medo, humor, conflito, cuidado e permanência.\nO olhar para a periferia evita a armadilha do estereótipo. A montagem não transforma esse território em lugar único da dor, nem suaviza suas violências. Prefere revelar sua complexidade: há brutalidade, mas também festa; há contradições, mas também mulheres que sustentam a casa, reorganizam vínculos e criam modos de seguir.\nNo palco, o quintal de uma casa paulistana dos anos 1990 funciona como arquivo afetivo. Televisão ligada, varal, mesa, objetos domésticos, ruídos da rua e músicas da época constroem uma atmosfera reconhecível, em que o íntimo e o social se encontram. Elementos como o arame farpado, a ferrugem, os televisores antigos e a imagem de uma criança dançando ballet ajudam a traduzir visualmente uma obra marcada por memória, infância, violência e delicadeza.\nA encenação combina teatro documental, procedimentos épicos, fisicalidade, projeções e audiovisual, com fragmentos que surgem, retornam e se transformam entre passado, presente e lembrança. O corpo dos intérpretes é tratado como território de memória. Gestos, pausas, deslocamentos, figurinos e objetos acionam personagens, tempos e camadas da narrativa familiar. Na trilha sonora, samba rock, funk, música popular brasileira e sons do cotidiano aproximam a obra do imaginário afetivo da década.\nAo levar ao palco uma história marcada por afetos, conflitos, violências e resistências, Gabriel Viriatto propõe uma pergunta que ultrapassa a própria biografia: quantas histórias seguem vivas no corpo de quem as atravessou, mesmo quando foram invisibilizadas pelas narrativas oficiais?\nCom classificação indicada para público jovem e adulto, “Atravessados 1990” é uma obra sobre aquilo que o tempo não apaga — famílias que continuam apesar das dores, a periferia como território de memória e criação, e a arte como possibilidade de dizer o que, por muito tempo, ficou preso entre o silêncio e a sobrevivência.\nSobre o Vértice e a Tukumã Instituto de Artes\n“Atravessados 1990” nasce no Vértice, núcleo de criação cênica contemporânea ligado à Tukumã Instituto de Artes. Idealizado por Gabriel Viriatto, o núcleo reúne artistas interessados em investigar o corpo, a memória, a imagem e a narrativa como caminhos para a construção de obras autorais.\nA Tukumã Instituto de Artes atua como espaço de formação e criação multilinguagem, aproximando dança, teatro, música, artes visuais e processos formativos. Com o Vértice, amplia essa atuação para a pesquisa cênica contemporânea e para a criação de espetáculos que colocam o corpo, a presença e a experiência sensível no centro da linguagem.\nInstagram: https://www.instagram.com/tukumainstitutodeartes/\nInstagram do núcleo: https://www.instagram.com/verticecriacaoemcena/\nSobre Gabriel Viriatto\nGabriel Viriatto é ator, bailarino, produtor artístico, diretor, idealizador e pesquisador das relações entre corpo, imagem e narrativa. Sua trajetória transita entre dança, teatro, canto, produção audiovisual, fotografia, educação artística e produção cultural.\nIniciou sua trajetória artística aos seis anos, na escola de dança Grupo Raça Centros de Artes, onde desenvolveu formação em ballet clássico, jazz dance, sapateado e dança contemporânea. Em 2010, integrou o elenco infantil do musical “Gypsy”, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho. Desde 2011, participa da Cia Tribo, com pesquisas voltadas à dança afro-brasileira e às origens da dança brasileira.\nGabriel é formado em Teatro, Bacharelado e Licenciatura, pela Universidade Anhembi Morumbi. Também possui especialização em Fotografia pela EBAC e pós-graduação em História da Arte pelo Centro Universitário São Camilo. É criador do evento anual Jazz Dancing Day, que chegou à quinta edição reunindo nomes importantes do jazz dance no Brasil, e autor do livro “Jazz Dancing Day: Um Olhar Contemporâneo”, publicado em 2023.\nEm 2024, fundou a Tukumã Instituto de Artes, instituição dedicada ao ensino das linguagens artísticas, e o Vértice Criação em Cena, núcleo voltado à produção cênica contemporânea. Em “Atravessados 1990”, consolida uma pesquisa artística centrada na autobiografia, na memória familiar e na cena contemporânea.\nLinkedIn : https://www.linkedin.com/in/gabriel-viriatto-0160521bb/\nServiço\nEspetáculo: Atravessados 1990\nDatas: 01, 08 e 15 de agosto\nHorários: 18h e 20h\nLocal: Teatro Hórus\nIngressos: disponíveis no Sympla\nLink: https://www.sympla.com.br/evento/atravessados-1990-01-08-as-20-00/3373910?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com\nTexto e direção: Gabriel Viriatto\nClassificação indicativa: recomendado para público jovem e adulto\nFicha técnica\nTexto e direção: Gabriel Viriatto\nProdução: Renata Coppola, Gabriel Viriatto e Flávia Kaetsu\nCenografia: Gabriel Viriatto\nFigurino: Karina Cruz e Gabriel Viriatto\nElenco: Ítalo Soares, Vinicius Ramos, Cris Rezende, Flavia Kaetsu, Silas Torres, Renata Coppola, Giovana Lima e Rafaella Alves\nAssessoria de imprensa: Bruno Gambini\n
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